
As mulheres são mais complexas e complicadas, o que logo à partida dificulta as coisas, e depois “não aceitam” um discurso oco e sem conteúdo, enquanto aos homens, basta-lhes um discurso agressivo, directo e simples (as mulheres chamam-no básico, mas a palavra correcta é simples) para que a motivação fique nos píncaros.
Dou um exemplo concreto, imagine-se que ao intervalo a equipa está a perder e a fazer um jogo miserável e na palestra o treinador diz o seguinte: - Vocês estão a levar um festival de bola, são uns (umas) anjinhos (as), a equipa adversária faz o que quer de vós e eu se fosse a vocês sentia-me envergonhado do jogo miserável que estão a fazer (e isto com uns palavrõeszitos pelo meio), vamos entrar na 2ª parte e demonstrar que somos melhores!
Reacção dos homens: Entram na 2ª parte a “espumar-se” e só querem correr, lutar e demonstrar ao treinador que tudo o que ele lhes disse está errado.
Reacção das mulheres: O treinador é maluco, é bruto, básico, etc, e em vez de nos “puxar” para cima, ainda nos deitou mais abaixo e se é isso que ele pensa que corra ele.
Esta é a realidade… e por isso é que nem todos os treinadores têm a capacidade, vontade e (e paciência) para treinar mulheres, pois é tudo muito, mas mesmo muito mais complexo.
No entanto, a verdade é que tudo isto nos enriquece, pois obriga-nos a pensar e a procurar a forma mais correcta de entrar nas “cabeças” das atletas para conseguir um melhor rendimento, no fundo, faz-nos crescer como treinadores, levando-nos a ter um discurso com algo mais do que 2 ou 3 berros e alguns palavrões, ou seja, com substância…
Pensem nisto…
Abraço
Pedro Silva